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Emater orienta sobre produção de mudas do Cerrado

pequiPlantar mudas nativas do Cerrado é um verdadeiro desafio, porque elas têm características específicas, mas o cultivo dessas variedades tem suas vantagens e importância. Replantar para recuperar o bioma Cerrado, que vem sendo destruído, é fator importante, mas além da preservação ambiental, o proprietário rural tem a possibilidade comercial que cada muda oferece, seja para utilização em artesanato ou para produção de alimentos típicos, ela funciona como uma renda extra.

Os produtores rurais interessados em plantar mudas nativas do Cerrado podem procurar a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater). Pesquisadores da entidade estão à disposição para esclarecer dúvidas e orientar sobre a aquisição das mudas pelo produtor.

Esse tipo de ação faz parte da proposta da Rede de Inovação Rural, uma nova estratégia metodológica de transferência de tecnologia e assistência técnica adotada pela Emater que tem como objetivo promover a emancipação econômica e produtiva das famílias rurais. Por meio de uma rede integrada de conhecimento e capacitação e da formação de parcerias público-privadas, a estratégia busca ampliar o acesso à assistência técnica em Goiás.

Com o objetivo de esclarecer sobre o cultivo dessas variedades, a Emater promoveu neste mês a oficinaProdução de Frutos do Cerrado, no Centro de Treinamentos da Emater, dentro da programação do 7º Seminário Nacional da Biodiversidade e Sementes Crioulas.

Oficina
Pequizeiro, mangabeira, pé de araticum (marolo) e outras variedades conquistaram a atenção de produtores rurais, pesquisadores e estudantes que participaram da oficina. Durante as exposições sobre as formas adequadas e peculiares do plantio de mudas nativas do Cerrado, a pesquisadora da Emater Elainy Botelho Carvalho Pereira e o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Unidade Cerrados Ailton Vitor Pereira ressaltaram as vantagens do plantio de mudas nativas para a propriedade e para o meio ambiente. Assista à reportagem sobre o tema.

A pesquisadora destacou que a polpa do pequi apresenta uma substância inibidora, que causa a dormência do fruto e impede que ele germine. Para a eficácia da produção da muda é necessário que toda a polpa seja retirada e, para isso, pode ser utilizada uma betoneira.

Pesquisador da Embrapa Cerrados Ailton Pereira reforçou a produção adequada de mudas nativas. Foto Emater/Nivaldo Ferr
Pesquisador da Embrapa Cerrados Ailton Pereira reforçou a produção adequada de mudas nativas. Foto Emater/Nivaldo Ferr

Ainda sobre o passo a passo, a pesquisadora ressaltou que, após a retirada da polpa, é necessário repousar os caroços espalhados na sombra. É importante ressaltar que o repouso da variedade deve ser feito sobre uma superfície concreta. Para quebrar a dormência do pequi, os produtores interessados em realizar o cultivo deverão acrescentar 1 g de ácido para 4 litros de água e assim repousar os frutos durante três dias.

Após todo o processo de adequação dos frutos, o plantio da muda deve ser feito em uma cova permeada de barro. Segundo a pesquisadora, a lama permite estabilidade à planta.

Exemplo

Para a produtora rural Maria Abadia, plantio de mudas nativas vai além da preservação ambiental. Foto Emater/Nivaldo Ferr
Para a produtora rural Maria Abadia, plantio de mudas nativas vai além da preservação ambiental. Foto Emater/Nivaldo Ferr

Entre as mudas nativas destacadas durante a oficina, o pequi conquistou a atenção dos produtores rurais. Para a produtora de Campos Verdes de Goiás Maria Abadia Rodrigues dos Santos, o plantio de mudas nativas vai além da preservação ambiental. “Um ponto que eu achei interessante é a possibilidade comercial que cada muda proporciona ao produtor. Ainda segundo Maria Abadia, o evento levou a troca de experiências entre diferentes povos de diferentes regiões. Sobre qual muda plantar, a produtora não esconde sua admiração pelo pequi e afirmou que “realizará o plantio ainda esse ano”.

Seminário
O evento teve como objetivo principal apresentar o trabalho realizado por famílias camponesas na área de produção das sementes crioulas. Outro ponto priorizado foi a troca de informações entre todos que estavam presentes e em diversas áreas do conhecimento.

O evento contou com a presença de camponeses, estudantes e produtores rurais e teve diversas oficinas. Segundo a coordenadora do Movimento Camponês Popular (MCP) Ana Cláudia de Lima Silva, “Os temas abordados perpassam pela perspectiva da produção agroecológica, alem dos aspectos comerciais da produção de sementes Crioulas”, explicou Ana Cláudia.

Fonte: Goiasagora

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