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Revisões das estimativas da soja apontam para recorde de até 107 milhões de toneladas

soja470x382Consultorias ligadas ao setor agrícola têm revisado seus números em relação à colheita de soja no Brasil, referente à safra 2016/17. Algumas preveem volume recorde que deverá superar 105 milhões de toneladas, podendo até mesmo alcançar 107 milhões. Mas para a AgroSecurity, por exemplo, a colheita deve atingir um número um pouco inferior, em torno de 103 milhões de toneladas.

Já o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu relatório de janeiro, estimou a produção brasileira em 104 milhões de toneladas. Os analistas associam as estimativas ao clima favorável para as lavouras, em comparação com a seca do ano passado.

Diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e presidente da AgroSecurity, o analista de mercado Fernando Pimentel diz que é necessário estar atento às condições climáticas.

“O clima com excesso de chuva ainda pode prejudicar algumas regiões do Cerrado, sobretudo no que tange à qualidade do grão. Já existem notícias de recusa de lotes para exportação no sul do Mato Grosso, por excesso de umidade e grãos ardidos”, afirma Pimentel.

Segundo ele, no entanto, “até o momento, salvo em áreas marginais que receberam pouca chuva na fronteira com o Paraguai, a safra segue com boas perspectivas de produtividade”.

AVANÇO

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Maranhão e Tocantins são alguns dos Estados que ganham destaque em volumes de produção. Apenas em Mato Grosso, há uma oferta de quase dez milhões de toneladas, de acordo com dados recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

“Os índices nessas regiões estão melhores que os do ano passado, embora nos casos do Piauí, Maranhão e Tocantins ainda seja cedo para um prognóstico mais ajustado. No que tange à Bahia, novamente tivemos problemas no início da safra, o que já compromete parte da produtividade, mas não podemos afirmar que será pior ou melhor que na última safra, pois ainda não tivemos chuvas historicamente normais na região”, avalia o diretor da SNA.

Em relação ao Sul do país, Pimentel acredita que, “apesar do fenômeno La Niña, os Estados apresentam boa evolução, seguindo patamares de produtividade de igual para cima em relação à 2016”.

VISÕES OTIMISTAS

Em recente nota divulgada pela Reuters, a AgRural analisou o fator climático, mas reforçou a possibilidade de recorde na produção.

“Perdas ainda podem ocorrer por falta de chuva no Matopiba (formado por alguns municípios do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no Rio Grande do Sul, que têm lavouras mais tardias, ou por excesso de chuva na colheita em outros Estados. Mas, a julgar pelas previsões para a primeira quinzena de fevereiro, a produção acima de cem milhões de toneladas já parece estar assegurada”.

A consultoria elevou, na última semana, sua previsão para a safra de soja do Brasil 2016/17 a um recorde de 105,4 milhões de toneladas, contra 103,1 milhões de toneladas no levantamento de janeiro.

Já a Safras & Mercado divulgou uma estimativa ainda mais otimista, de 107.1 milhões de toneladas de soja para o Brasil. A Safras afirmou ainda que, após a chegada de chuvas em um momento-chave, o temor com a produção do Norte/Nordeste do país dá espaço agora a uma perspectiva de produtividade regular.

Segundo a consultoria, o retorno da umidade, principalmente no oeste baiano, “deve garantir um desenvolvimento razoável das lavouras de soja que estavam começando a sofrer com o estresse hídrico, recuperando as plantas e impedindo grandes perdas”.

Assim como a Safras & Mercado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também segue uma linha de otimismo, anunciando uma produção de 107.039.408 toneladas – valor 11,8% superior ao verificado em 2016.

Outras estimativas, como a da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê safra de 105.6 milhões de toneladas de soja, com crescimento de 10,6% da produção e de 10.1 milhões de toneladas em relação à safra anterior. E uma recente pesquisa da Reuters aponta para o recorde de 104.7 milhões de toneladas.

EXPORTAÇÕES

Se em matéria de produção as perspectivas apontam para índices notáveis, no quesito exportação, levando-se em consideração o cenário que começa a ser delineado pelo novo governo dos EUA, as tendências não deixam de ser favoráveis.

Para o diretor da SNA, “a geopolítica protagonizada por Donald Trump pode nos favorecer, de forma marginal, na exportação do agronegócio em sentido amplo”. Porém, segundo ele, “por outro lado, o câmbio poderá retardar a comercialização por parte do produtor”.

Pimentel prevê para 2017 um índice de exportação de soja na faixa de 56 a 58 milhões de toneladas, contra os 51.5 milhões do ano passado.

 

Fonte: Por equipe SNA/RJ com informações da Reuters

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