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Agentes biológicos podem revolucionar o controle de pragas na soja

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Há mais de duas décadas os produtores brasileiros ouvem falar sobre o controle biológico. Pesquisas comprovaram que algumas espécies de insetos e micro-organismos são inimigos naturais de pragas. Com isso, esses agentes são capazes de acabar com populações de pragas e se tornam peça estratégica para realizar o manejo integrado nas lavouras. Porém, poucos têm a audácia de colocar a tecnologia em prática tão à sério como o que ocorreu na fazenda da Agrícola Pagrisa, produtora de cana-de-açúcar e grãos no Pará.

Na safra 2015/2016, uma área de 75 hectares cultivada com soja foi manejada apenas com biológicos. Isso mesmo, não foi aplicada uma gota de defensivo sequer na plantação. “Foi uma área pequena para teste, mas muito relevante porque estava próxima de outras áreas que sofreram alta pressão de pragas”, diz Marcos Zancaner, diretor-presidente da Pagrisa. A experiência ousada gerou um resultado tão acima das expectativas que a experiência está sendo replicada na área total cultivada com soja pela Agrícola Pagrisa, que soma seis mil hectares em duas fazendas, localizadas nos municípios de Paragominas e Ulianópolis.

Custo-benefício

Na área experimental, o manejo com biológicos foi realizado com o objetivo de controlar a falsa medideira e lagarta da soja. Houve três aplicações do parasitoide Trichogramma pretiosum, com intervalos de sete dias, durante o estádio vegetativo da soja e uma aplicação durante o estádio de florescimento da lavoura. O custo total de controle biológico foi de R$ 120 por hectare. “Fizemos um controle excelente. A lagarta falsa medideira vinha apresentando resistência aos químicos nessa região e foi praticamente exterminada com o controle biológico”, afirma Zancaner.

Já na área de soja manejada com agroquímicos, com 938,14 hectares, foram realizadas cinco aplicações para controlar as lagartas durante a safra. O custo de controle foi de R$ 256,2 por hectare. Segundo Zancaner, enquanto a área manejada com químicos registrou desfolha na faixa de 25% na fase vegetativa, a área experimental com controle biológico não atingiu nem 5% de desfolha. Outro resultado que chamou a atenção foi o comparativo de produtividade. Na lavoura manejada com químicos, a cultura rendeu 39,82 sacas por hectare. Já na área de controle biológico, a colheita foi de 47,5 sacas por hectare.

A combinação de investimento mais barato, menor nível de desfolha e maior produtividade transformou Zancaner num entusiasta dos biológicos. “Na nossa avaliação, o controle biológico foi mais eficiente que o químico”, diz o diretor-presidente da Pagrisa. “Com o biológico podemos fazer um manejo integrado de pragas. Ele entra no controle de ovos, então controla o problema antes mesmo de a praga causar dano à lavoura. Se houver desfolha, é praticamente mínima.”

Além de adotar o controle biológico em toda a área cultivada com soja pela empresa, a Pagrisa vai ampliar o leque produtos, passando a utilizar também o agente biológico Telenomos podisi para controlar o percevejo da soja na safra 2016/2017. Mas, apesar da mudança radical no manejo das lavouras, isso não significa que Zancaner deseja exterminar o uso dos agroquímicos. O diretor-presidente da Pagrisa acredita que esses produtos passam a ser uma carta na manga. “Tem gente que pensa que somos corajosos. Na verdade, temos um método a mais de controle. Se por acaso algo não der certo com o controle biológico, entramos com o químico depois. Isso para nós significa o melhor manejo”, afirma Zancaner.

 

fonte: sfagro

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